Quinta-feira, Agosto 14, 2003

Que Mais Nos Irá Acontecer?

Uma sondagem no Reino Unido diz que as famílias britânicas estăo a viver exactamente como os Osbournes (família de Ozzy Osbourne - sim, eles existem).
O estudo foi feito pela Britannia Building Society que decidiu analisar em pormenor as famílias do país com adolescentes com 16 anos ou mais que ainda vivem com os pais. Tal como Jack e Kelly (filhos de Ozzy), os jovens parecem levar a vida que querem. Eles năo tęm qualquer pressa de sair de casa e perderem as modormias. É de tal forma que os pais pedem empréstimos (ou pelo menos pensam nisso) para adquiriem mais terreno, de modo que possam fazer extensőes das suas casas com o objectivo de darem aos filhos maior autonomia para que estes possam receber os amigos.
Neste trabalho ficou também evidente que há pais (um em cada seis) que estăo convencidos que os seus rebentos nunca sairăo de casa, tal como Jack Osbourne que tem a intensăo de viver com os progenitores para sempre. Já nem sequer săo a geraçăo boomerang.

Pode Vir Aí Remake de Clássico de Carpenter

E por falar em John Carpenter. Andam a correr rumores que dizem que desta é que é: sempre vai para a frente o remake de "Assalto a 13ª Esquadra".
Até agora a única coisa que parece garantida é o argumento que, tudo indica, vai ser escrito por James DeMonaco, o mesmo de "Jack". Segundo se diz, o novo script năo vai ser muito diferente do original, mas tem algumas variantes. Na nova versăo, um conhecido mafioso está, temporariamente, a ser mantido numa esquadra obsoleta em vias de fechar as portas. Só que as coisas complicam-se quando um grupo de polícias e condenados se vę forçado a enfrentar um bando que o quer libertar.
Há que dizer que até agora nenhum realizador se ofereceu para suceder a Carpenter na direcçăo desta obra... Porque será?

Os 25 Anos de "Halloween"

Os făs de John Carpenter já podem encontrar a venda "Halloween: 25th Anniversary 2 Disc-Set". É a ediçăo especial em DVD deste clássico do cinema de terror que serve para comemorar os seus 25 anos. Esta ediçăo digital tem vários extras.
Assim, no primeiro disco, além do filme existem ainda os comentários do realizador, da produtora Debra Hill, e da protagonista Jamie Lee Curtis.
No segundo CD, entre outras coisas encontramos um documentário de 87 minutos com entrevistas aos principais intervenientes, uma visita a casa de Michael Myers e o argumento original em DVD-Rom.
Além de tudo isto existe ainda um livrete de 16 páginas. Vale a pena.

Quarta-feira, Agosto 13, 2003

Nem só de música de dança, electrónica, soul, funk, jazz, latina, drum'n'bass, bossa nova, dub, broken beat, breakbeat, hip-hop e quejandos vive o homem, a mulher, os portugueses e as portuguesas, o ser humano, em suma.

Na Oxigénio, cada vez com mais frequência, fazem-se raides ao rock. Ou a propósito dos 2 Many DJs, ou a propósito do punk-funk, do Playgroup de Trevor Jackson, das ESG, ou dos Clash produzidos por Lee Scratch Perry, ou do "dark side" austríaco dos Sofa Surfers e I-Wolf, ou RJD2, ou da vaga de Filadélfia que anda nas "streets" onde năo passa Bruce Sprinsteen, mas sim os Roots ou Common.

Ou, do encontro puramente ocasional com um tipo norueguês chamado Kaada.

Poderá năo ser genial mas tem génio suficiente para dar e vender, sentido de humor e amor pela música. “Thank You For Giving Me Your Valuable Time”, assim se chama o disco em questăo, combina a samplagem e o corte e colagem com instrumentos sobrepostos em tempo real. Utiliza samples de quando o rock ainda rolava, pop, doo-wop e r’n’b dos anos 50 e princípio dos 60. Ou seja, material familiar a todas as geraçőes e com potencial para despertar emoçőes de bailes e conquistar os coraçőes de pais e filhos.

Imaginem um Beck em regime experimentalista e com os ímpetos de “enfant terrible” ainda a correrem-lhe nas veias ou o que poderiam ter sido os Soul Coughing se tęm prosseguido o namoro com as Andrew Sisters e Raymond Scott. Ao quadro, misturem a memória dos Platters ou Rick Nelson ou desse grande ícone resguardado pelo segredo (sigilo profissional?) dos deuses, J. Skrezek e complementem a fantasia com uma moldura retro-futurista onde o tempo pára e passado e futuro se confundem.
Ora estamos perante um clássico absoluto como “I’m so glad you love me” de Juanita Rogers com Mr. V’s Five Joys como no minuto seguinte podemos deparar com um delírio de psicobilly, a evocaçăo vodu de Screamin’ Jay Hawkins, uma excerto de desbunda jazzística, ou um exercício noise ou harcore de conotaçăo subversiva. A música respira ritmos trepidantes e melodias encantadores com a dinâmica de uma montanha russa sobre carris de humor, músculo e instinto.

É rock, é electrónica, é uma nova indietrónica, é aquilo que quisermos. É um delírio repentino e inesperado que poderá funcionar como uma pedrada no comodismo de repetir até à exaustăo o que está a dar. É música para surfar nos fiordes ao sabor das ondas do imaginário americano, para misturar com a Jon Spencer Blues Explosion e os Cramps, para recuperar o prazer e o arrepio que o rock do costume já muito raramente é capaz de provocar.

Terça-feira, Agosto 12, 2003

Na Oxigénio, está a tocar "Spare Ass Annie" (and other tales) de William S. Burroughs, para a música dos Disposable Heroes Of Hiphoprisy. Uma verdadeira obra-prima. Perfeita "beat poetry". Curiosamente, mesmo os conhecedores de Burroughs e dos Disposable, ou dos Spearhead (ambos projectos de Michael Franti, já agora também dos Beatnigas), deixam, muitas vezes, passar este clássico do hip-hop e da spoken word, em particular, e da música em geral, ao largo - um problema atávico da navegaçăo à vista. O disco saíu em 1993 e já se encontra a preço de saldo. Na altura poucos o terão ouvido, hoje, provavelmente "seremos poucos, amanhă, ainda menos". Burroughs para investigar, recomenda-se a fabulosa caixa "Best of William S. Burroughs: From Giorno Poetry Systems" e, por acréscimo, tudo o que puderem encontrar de John "completly attached to delusion" Giorno.
A propósito, qual será a sensaçăo de ver a obra feita em saldo? Estamos a pensar em promover um encontro de escritores, músicos e etc, cujas obras sejam objecto recorrente de saldos. aceitam-se sugestőes.

Segunda-feira, Agosto 11, 2003

Calor de Perdiçăo

O calor que anda a assolar a Europa pode estar para ficar. Năo estamos propriamente a falar dos próximos dias, mas sim das próximas décadas, por esta altura do Verăo.
Os especialistas dizem que este calor que está a abafar o velho continente vai tornar-se cada vez mais frequente e no último terço do Século XXI as temperaturas médias poderăo subir tręs ou quatro graus. Dentro de 50 a 100 anos văo ser também mais frequentes as inundaçőes catastróficas e outros fenómenos meteorológicos extremos.
O último estudo do painel intergovernamental sobre as alteraçőes climatéricas das Naçőes Unidas diz que nos últimos anos o aquecimento global acelerou.
Um assunto que devia deixar qualquer um assustado. Esta é uma tendęncia que só pode ser alterada se todos nós mudarmos os nossos hábitos. Pensar no ambiente năo é uma moda, pode ser sim a única forma de sobrevivęncia.

Quinta-feira, Agosto 07, 2003

Năo se passa nada, nem apetece. 38 graus ŕ sombra, recorrentes, em terra de climatizadores esgotados. O inverso de aquecedores năo deveria ser arrefecedores? A verdade é que já ninguém quer ventoínhas, até porque as únicas ventoínhas com estilo e direito a um lugar no nosso imaginário săo as de tecto. Impassíveis, titubeantes e imprevisíveis, um pouco como os velhos carrocéis de cadeiras voadoras com vista para o poço da morte. Resignados, abrimos as janelas e deixamos o ar quente entrar ŕs lufadas, e empurrar os devaneios de insolaçăo para as miragens térmicas que ondulam quilómetro a quilómetro. Entre a sombra e o abafado (em tasca de mármores impecavelmente ensebados mas frescos), a erva rala e a terra queimada, os canais de rega e os ecos da praia, ergue-se uma tenda. Chill-out, Oxigenio, sudoeste. Aqui vamos nós. Os discos amontoam-se no porta-bagagens, misturados com placas azuis de gelo, năo vá o vinil perder as espiras pelo caminho e transformar-se em chocolate quente. Năo sabemos, nunca sabemos, o que vamos tocar. Lançamos nomes para o ar, lembramos outros festivais e concluimos que, inevitavel e compulsivamente, há coisas que săo imprescindíveis...

Rhythm & Sound com Tikiman "King In My Empire"
Lee Scratch Perry "Dub Revolution" (music to rock the nation)
Linton Kwesi Johnson "Reggae Fi Peach"
Overproof Sound System "Watch what you put inna"
Burnin Spear "Days Of Slavery"
Junior Murvin "Police and thieves"
Max Romeo "A quarter pound of icense"
Freddie Mcgragor "Natural Coolie"
Stereotyp e Tikiman "Dub Club Track"
Emo "I want my love" com Daddy Ous
Rockers Hi-Fi "Now I Deliver"
St. Germain "Soul Salsa Soul"
Seńor Coconut "Humo en el agua" (fuego en el cielo)
Lord Kirtchener "London is the place for me"

A lista continua a crescer, mas o reggae/dub e derivados dominam, Jah....




Segunda-feira, Agosto 04, 2003

Está aí Agosto e o verăo institucionalizado. A funçăo pública é o doce fazer nada, ou, pelo menos, o mínimo possível. Em época de Silly Season, a Oxigénio (102.6 LX, nunca é demais dizę-lo) optou pela evasăo fisica ou mental (dependendo dos casos) e pela invasăo da memória musical (do colectivo), inaugurando o imaginário "Silly Songs For The Chilly season", em regime oficioso. A semana vai ter como banda sonora privilegiada aquilo a que se convencionou chamar "On The Road", ou, respeitando a traduçăo oficial, "Pela estrada fora". Como sempre, havia muito por onde escolher e depois de alguma discussăo acalorada (somos pela luta contra o ar condicionado, por motivos evidentes) sob o lema, o que é que apetece ouvir com quarenta graus à sombra tendo em conta as férias que se desenham no horizonte, chegou-se ao seguinte consenso:

Lou Preager & His Orchestra – Cruising Down The River
Louie Austen – One Night In Rio
Visit Venus – Venus Beach Resort
Bing Crosby & Andrew Sisters – Don’t Fence Me In
Cool Hipnoise – Lisboa – Kingston – Havana
Earl Zinger – Trip To Ibiza
Ready Bobbio – Holliday In Montecarlo
Donald Byrd – Spaces And Places

Ou seja, um equilibrio entre títulos, histórias e carga emocional.
Agora, é abrir as janelas e deixar a oxigenio entrar...

Sexta-feira, Agosto 01, 2003

Despir em Nome da Arte

Meus amigos, nada como andar em pęlo, tal como viémos ao mundo.
O conhecido fotógrafo Spencer Tunick vai estar em Santa Maria da Feira no dia 13 de Setembro para despir literalmente as pessoas que tiverem coragem de o fazer - tudo em prol da arte.
O fotógrafo vai estar no nosso país por alturas do III Festival Internacional de Teatro de Santa Maria da Feira - o Imaginarius - que decorre de 5 a 14 de Setembro.
Este artista nova-iorquino é conhecido por fotografar um aglomerado de pessoas em pelota em espaços ao ar livre. Depois, eterniza o momento com a sua câmara fotográfica.
Os interessados em participar na iniciativa podem enviar a sua inscriçăo para a seguinte morada electrónica: festival@7sois7luas.com.
Lembro que Tunick apelou na conferęncia de imprensa de apresentaçăo do projecto para que as pessoas participassem. Ele pediu, e passo a citar: "Gentes de todas as idades, famílias, tragam a vossa avó". E já agora o căo, mas devidamente tosquiado (claro).

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